EXPOSIÇÃO SESI DURVAL PEREIRA

IMPRESSÕES BRASILEIRAS - 100 ANOS

Desde o Descobrimento, as paisagens do Brasil vêm sendo retratadas por pintores renomados mundialmente, como Debret, Rugendas, Frans Post e Albert Eckhout. Mas, no século XX, foi Durval Pereira o grande destaque do paisagismo brasileiro, considerado o maior impressionista da nossa era. Uma paleta de cores cheia de vitalidade, os contrastes marcantes entre luz e sombra e os relevos impostos no peso incomparável de sua espátula fazem com que sua obra tenha uma qualidade técnica e uma personalidade inconfundíveis, únicas. Acompanhe suas expedições pelo país entre as décadas de 1940 e 1980, retratando toda a riqueza dos cenários brasileiros, com a doçura e a poesia do litoral, o ouro solar do sertão, a exuberância das florestas e os encantos da multiplicidade de tons do crepúsculo. Durval soube como ninguém captar paisagens genuínas, no claro-escuro das favelas, nos traços de um povo humilde, na labuta diária de lavadeiras, pescadores e boiadeiros. Percorreu lugares onde esteve e trabalhou Aleijadinho, por quem tinha muita admiração, originando-se daí o seu encantamento por cidades coloniais, como Ouro Preto, Paraty e Salvador.

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Vida e História de Durval Pereira

Durval Pereira nasceu no bairro da Mooca, São Paulo, em 26 de junho de 1918, e descobriu desde cedo sua paixão pela arte. Aos 26 anos, ainda autodidata, recebeu Menção Honrosa no Salão Paulista de Belas Artes e já em 1964 iniciou os estudos de Artes Plásticas, passando a viver exclusivamente de sua produção. Além de incontáveis premiações nacionais e internacionais, em 1976 participou do Festival Anual de Artes de Miami Beach, expondo na conceituada Gables Art Gallery. Foi reconhecido e premiado pela crítica mundial como um dos mais importantes paisagistas e o maior impressionista dos tempos atuais. Em 1983, concorreu com artistas de 20 países e conquistou o Primeiro Prêmio da III Biennale Mondiale des Métiers D'Art, em Nice, na França. De alma humilde e coração grandioso, Durval não resistiu à sua maior emoção: faleceu em 1984, aos 66 anos, ao receber a notícia de que havia conquistado o troféu La Madonnina di Milano, entregue apenas a artistas de importância internacional.

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As viagens de Durval Pereira seguem rumo ao litoral brasileiro. A explosão dos azuis é resultado de um intenso trabalho de pesquisa e conhecimento das técnicas de mesclagem de cores. A percepção de movimento, a intensidade cromática e as experiências sensoriais tornaram as marinhas do artista inconfundíveis. As paisagens mais constantes são de cidades do litoral paulista, como Santos e Itanhaém. Também existem obras pintadas em Itapema, no Estado de Santa Catarina, nas praias do litoral fluminense e no Nordeste, em especial as que retratam cenas de jangadas e puxadas de rede. No exterior, podemos identificar, por exemplo, paisagens litorâneas de Cascais, em Portugal. Não é sem motivos que as marinhas de Durval receberam diversos prêmios em salões de arte e exposições coletivas de todo o mundo.

Paisagens Litorâneas

Marinha

A expedição pelo universo de Durval Pereira começa pelos tons de ocre, do amarelo esmaecido aos laranjas intensos, que se destacam na mais constante temática de toda a sua obra: os casarios. O Colonial Brasileiro de cidades mineiras, como Mariana, Diamantina, Tiradentes e São João delRei era sua verdadeira paixão, mas foi Ouro Preto sua inspiração preferida. Nas viagens ao Estado do Rio de Janeiro, pintou paisagens de cidades históricas como Paraty. No Rio Grande do Sul, retratou as ruínas das igrejas jesuítas de São Miguel das Missões. No Nordeste, considerava os casarios de Salvador o melhor destino. Há também algumas paisagens de conjuntos arquitetônicos civis e religiosos pintados na Europa, principalmente na Itália, e em países da América Latina. Na década de 1970, Durval encontrou um novo cenário dentro da temática dos casarios: a Favela do Buraco Quente, na Mooca. Os quadros retratam, com a mesma força dos espatulados e um colorido ainda mais inusitado, a vida simples e a estrutura frágil desse cenário tipicamente brasileiro.

Ouro Preto

Casarios

Pela estrada a caminho das cidades mineiras ou do litoral em busca de inspiração e novos cenários para suas telas, era inevitável o contato com diversos tipos de paisagem e personagens rurais. Os ambientes que traduziam a vida e o trabalho do homem do campo eram ainda mais bucólicos do que as marinhas e casarios. Os diversos matizes de verde ganham força nas telas de Durval Pereira. Além de percorrer grande parte do interior de Minas e São Paulo, onde as montanhas dominavam o horizonte, Durval chegou também a terras do Mato Grosso, cujas paisagens eram de grandes planícies e campos abertos. No caminho para Minas ou para o Centro-Oeste, Tambaú, cidade paulista próxima a Ribeirão Preto, era uma das suas paradas preferidas. Apesar da paixão por Ouro Preto e seu casario histórico ou da força sensorial e pictórica de suas marinhas, são as boiadas, carros-de-boi e boiadeiros, talvez, os trabalhos mais premiados de Durval Pereira. São peças de destaque dentro do acervo de sua obra e algumas das telas mais aclamadas pela crítica especializada.

Boiadas

Boiadas

Paisagens Rurais

Os tons vibrantes e uma explosão intensa de cores surgem nas mesas fartas e coloridas das naturezas-mortas de Durval Pereira. Nas generosas talhadas de abóbora, verduras, frutas, peixes e tachos de cobre, assim como em exuberantes arranjos florais, sempre com pinceladas fortes, densas, mas, ao mesmo tempo, de uma suavidade que surpreende o espectador, em cenários geralmente montados em sua própria casa. As cenas criadas com os tachos de cobre, por sua vez, surgem em ambientes mais rústicos, nos próprios locais de preparo, sugerindo que tenham sido pintadas em suas viagens a Minas. De suas pescarias, voltava sempre com fotografias de arranjos de peixes e camarões que depois utilizaria como referência para as telas, recriando o ambiente em composição com outros elementos. Alguns desses quadros, já datados da década de 1970 em diante, apresentam uma forte tendência para o Expressionismo e o Abstracionismo. Com essa mesma dinâmica de contrastes e cores, são pintados com maestria os retratos, influenciados, talvez, por sua experiência de início de carreira como retocador de fotografias. Em geral, são rostos marcantes de gente do povo, traços sofridos da pessoas simples do campo, com destaque para os pretos velhos. Apesar de tamanha beleza, o retrato não era um tema constante em sua obra. Durval preferia o movimento, as figuras não estáticas, apresentando os personagens em suas atividades cotidianas, como foi o caso das lavadeiras e dos boiadeiros. Até mesmo no ambiente familiar, registra-se apenas um retrato pintado, no seu início de carreira, de sua filha Mirna, ainda criança.

Natureza Morta

Natureza Morta

Durval Pereira foi, sem dúvida alguma, um artista fora de seu tempo. Um impressionista legítimo e aclamado pela crítica mundial e, posteriormente, expressionista, numa época em que o mercado de arte tinha seus olhos totalmente voltados para o Abstracionismo. As mudanças de estilo e a demanda das galerias por abstrações conseguiram fazer com que Durval partisse para esse novo caminho. Pesou bastante, também, nessa decisão, a grande amizade com Manabu Mabe, talvez o maior nome desse estilo na arte brasileira da época. Nesta exposição, temos alguns dos poucos e raros exemplares da arte abstrata, experiências ímpares de Durval Pereira, produzidos a partir da década de 1970, já no final de sua carreira. Uma série de obras que mostra essa intenção de modernidade e de fuga ao seu estilo e à paleta de cores original. Apesar dessa entrega ao apelo do mercado, mesmo nestas obras podemos identificar facilmente as temáticas de cada tela, com elementos claros de casarios, marinhas, naturezas-mortas. Portanto, mesmo cedendo ao Abstracionismo, Durval Pereira manteve-se fiel à alma principal do seu trabalho.

Abstrações

Abstrações

Abstrações

Acervo / Quadro Zero

As peças expostas na exposição SESI Durval Pereira - Impressões Brasileiras - 100 Anos fazem parte do acervo particular de Hebron Costa Cruz de Oliveira, cedido ao Instituto Origami, que, além de assumir a realização e produção da mostra, é responsável pelo restauro e pela revitalização das obras. Hoje, são mais de 250 telas que foram reunidas numa busca incansável pelo patrimônio artístico de Durval Pereira espalhado pelo mundo.

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Programação
Recife

Data: De 28 de fevereiro a 22 de abril de 2018
Hora: De segunda a domingo, das 11h às 17h.
Local: Centro Cultural Correios (avenida Marquês de Olinda, 262 - Recife Antigo)

Ouro Preto

Casa dos Contos de Ouro Preto
Terça a sábado, das 10h às 16h45.
Domingos e feriados, das 10h às 14h45.

Anexo do Museu da Inconfidência
Terça a domingo, das 10h às 17h30.

Grêmio Literário Tristão de Ataíde
Segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 18h.
Sábados - 9h às 12h.

Centro de Cultural e Turístico do Sistema FIEMG
Segunda a domingo, das 9h às 19h.

São Paulo

Data: De 17 de julho a 16 de setembro de 2018.
Local: Memorial da América Latina - Galeria Marta Traba.
De terça a domingo, das 9h às 18h

Brasília

Data: De 03 de outubro a 02 de dezembro de 2018.
Local: Museu Correios.
Terça a Sexta: Das 10H às 19H.
Sábados, domingos e feriados: Das 14H às 18H.

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